Estou com fome!
A VIDA É BELA
E ANDA NUA,
VESTIDA APENAS
COM O SEU DESEJO
mario quintana
Certo dia vi um olhar triste, uma mão no queixo, as costas encostadas em uma grade. Meio copo de chopp a sua frente. Duas amigas conversando e ela observando. Quase não trocamos uma palavra naquele dia, ela estava mais ouvinte. Uma de suas amigas falava sem parar. Depois de um tempo fomos todos embora. E essa moça ficou na minha cabeça. Hoje ela faz parte diáriamente do meu pensamento. Ela faz parte da minha vida. Foi entrando, conquistando. Sorriso encantador. Cheiro delicioso. Incrível!! Moça, moçoila, mocinha. Mocinha linda! É tão bom quando encontros acontecem. Ela diz que já foi mais apaixonada por mim. Acho que é mentira. Quando ela me olha no olho, essa paixão me invade. Me sinto pelado. Sem máscaras. Não consigo mentir ou omitir. Sou eu mesmo quando estou com ela. Me reconheço. Tenho resgatado através dela uma alegria que tava escondida. Uma jovialidade perdida. Ela me chama de coroa. Ela colocou uma coroa na minha cabeça, é isso. Ela me coroou com seu encanto, com sua felicidade, sua honestidade. Com sua safadeza. Muita safada, gostosa. Incrível. Isso que ela é: Incrível.
Mocinha.
Fiquei assustado quando entrei aqui e vi o tempo que não escrevo. Fiquei assustado em ver como passa rápido o tempo.
O que fiz nesse período? Vou ter que pensar para ver se andei para frente. Vou ter que analizar as pessoas que passaram na minha vida. Agora é claro que só me vem imagem boa na cabeça. Mas será que só vivi coisas interesantes e boas nesse tempo? duvido! E as coisas ruins, as mancadas, as roubadas. A parte da amnésia alcoolica. Essas são difícieis de lembrar. Ou fáceis de apagar. Fiz mal pra alguém nesse período? Espero que só pra mim mesmo. Mas é difícil. Alguem deve ter saido machucado ou desgotoso que seja de uma passsagem pela minha pessoa. Não sou flor. Sou espinho. Meu jeito. Se não querem me agarrar não machuco. Mas quando querem é inevitável. Espinhos. Defesa. Redoma. Pavor de ser igual. Panico de fazer parte do sistema. Peraí, parte do sistema eu sou. Eu não compactuo com ele. É isso. Pânico de compactuar com esse lixo. Que bom que tenho espinhos. Quando pegam, me soltam.
Vou tentar escrever com mais frequência. Nem que seja pra ser essas merdas que passam pela cabeça que não fazem o menor sentido. Sempre vai ter um psicologo filho da puta dizendo que tem. É o trabalho dele, arrumar problema onde não tem. Fazer você sentir culpa pra depois de 18, 20 anos dizer que te tirou dela. To exagerando... Deve haver bons psicíologos, pode ser, mas acho que nasceram mortos!
(Texto do personagem Vado, do livro "viajens de vado" editora LoCa)
Muito tempo sem escrever aqui. Meu filho nasceu dia 01/09/2008 e só tenho babado por ele, e nas horas vagas trabalhado. Tentarei escrever mais, qualquer coisa, um suspiro, um trecho de alguma coisa, um pedaço de vida... alguma coisa! O maior motivo de afastamento é esse. Um belo motivo!
Se quer levar essa dor leve. Se precisa. Respeito. É paixão. Se tem raiva. Aceito. É tesão. Vomita que eu engulo. É gozo. Fico com a lembrança do seu sorriso. Com os minutos que dormia contigo. Só contigo. Com os orgasmos que tinha. Com o arrepio na espinha. Com o gosto do caranguejo. Com o morango no seu peito. Com a rosa vermelha cravada em seu dente. Com o banho quente. Com seu adjetivos: Princesa, putinha, santinha, coelhinha. Continuo fiel. Ainda és a ultima que beijou. Que chupou. Que lambeu. Que fudeu. Que meteu. Que mecheu. Até sua partida Ninguém me toca. Ninguém me pega. Ninguém me tem. Ninguém, ninguém. Isso me faz bem. As brechas do meu dia eram suas. Acordava mais cedo pra te ver. Saia do trabalho mais cedo pra te ter. Chegava em casa mais tarde pra dormir com você. Só com você. Vai. Voa. Bate as asas e mande noticias de como é o infinito. Quando o vento tiver soprando pra esses lados. Mande beijos.

Hoje faz quinze dias que meu filho nasceu. Antônio. Lindo. Tranqüilo. Não tem dado trabalho. Só alegria. Não sei dizer concretamente ainda o que mudou em mim. Mas mudou. Pra melhor. To curtindo ser Pai. E por hora é isso que tenho a dizer.
Eram inimigas mortais. Odiavam-se. Terríveis víboras cuspindo veneno. Eram capazes de tudo. Baixarias na boate. Troca de palavrões no restaurante. Ameaças ao telefone. Loucas! Insanas! Tudo por causa de um homem. Que uma namorou. Depois a outra namorou. Ele coitado joguete na mão das poderosas! Mas gostava. Dono das duas! Afinal brigavam por ele. Mas o tempo passa. A fila anda. Os relacionamentos acabam. Um belo dia elas se encontram. Lavam a roupa suja. E viram melhores amigas. Agora saem juntas. Bebem juntas. Divertem-se juntas São confidentes. Quando uma casar a outra vai ser madrinha. O que era preto ficou branco. E o coitado agora ficou puto. Não entende. Acha a amizade descabida. Perdeu o posto. Dançou. Elas riem disso tudo. Viram madrugadas curtindo a noite. E uma noite dessas elas conhecem um carinha. Elas gostam dele. Ele gosta delas. Sem pretensões viram amigos naquela noite. Agradável trio. Papo bom. Mente boa. Trocam massagens. Que viram caricias. Ninguém pensou. Foi acontecendo. Ele beija uma. A outra olha, pede um beijo. Eles se entrelaçam. A noite rola. Não param. Amanhece! Elas vão embora juntas. Rindo. Felizes. Sem disputa. Sem inveja. Sem ciúme. Transcenderam. Agora são livres! E abusam da liberdade. Ele? Teve a sorte de participar do encontro de duas estrelas.
Ela é apaixonada por ele.
Ele é apaixonado por ela.
Ela é puta.
Ele é safado.
Ela geme.
Ele meti.
Ela é sincera.
Ele também.
Ela promete.
Ele acredita.
Ela não cumpriu.
Ele caiu.
Ela não se arrepende.
Ele se recente.
Ela ficou com um Italiano no domingo.
Ele não. Dormiu cedo.
Ela agiu.
Ele reagiu.
Ela quer ter tudo.
Ele não pode dar mais.
Ela tem raiva dele.
Ele acha que a raiva é com ela.
Ela fez por que quis.
Ele não quis porque ela fez.
Ela não pensou nas conseqüências.
Ele foi pego de surpresa.
Ela ainda gosta muito dele.
Ele ainda gosta muito dela.
Ela quer continuar fudendo com ele.
Ele rasga o cú, mas não fode mais com ela.
Ela age por impulso.
Ele age por intuição.
Ela quer dormir junto.
Ele adorava.
Ela deu pra ele na segunda.
Ele saiu de lá de madrugada.
Ela chorou na manha de terça.
Ele achou que não ia acontecer mais nada.
Ela deu pro italiano na terça a noite.
Ele ficou chocado com a sensibilidade dela.
Ela diz que o pau do italiano é pequeno.
Ele ri porque o dele é grande.
Ela ainda tem a amizade dele.
Ele ainda tem a amizade dela.
Ela quer fazer outro pacto.
Ele acredita em Deus.
Ela vai sofrer.
Ele também.
Ela vai se consolar no ombro do italiano.
Ele numa garrafa de cerveja.
Ela escolheu.
Ele não teve escolha.
Ela fica puta!
Ele vai virar puto!
Ela vai pensar duas vezes na próxima vez se vale a pena.
Ele apesar de tudo tem certeza que valeu!
Ontem vi uma peça bem bacana “Pão com Mortadela”. Texto de Charles Bukowiski. Adorei. Uma frase na peça me chamou atenção “De uma máquina de escrever a um homem triste que ele se torna um escritor”. Não sei se a frase era exatamente assim, mas o conteúdo com certeza. Não sou um escritor. Mas quando estou triste gosto de escrever. Necessito escrever. É mais forte do que eu. É um um remédio que alivia a angústia.
Um espelho da alma onde posso ver mais claramente o que está acontecendo dentro de mim. Ao mesmo tempo que é solitário e solidário. Me conforta. Toca em um lugar que ascende uma chama. Acorda o dragão. Com raiva ele cospe fogo. O fogo aquece. Esteriliza. Ilumina. Tenho que confessar que sinto alegria na tristeza. Vou até o fundo. Chego ao chão. Com os pés no chão posso dar um impulso e subir. Sábio aquele que permite a tristeza. Aproveitará com calma seus lampejos de alegria.